CAPÍTULO 4
Estava me arrumando para ir até uma festa aqui em Santa Maria. Eu sabia que Leonardo não iria, e isso me deu mais ânimo pra ir. Eu entrei no salão, e todos os olhares voltaram para mim. Fiquei ali, com meus amigos de infância. Foi quando eu o avistei. O Matheus Bolzan. E eu fiquei fascinada. Fui ao mesmo ‘grupo’ que ele, já que conhecíamos as mesmas pessoas. Nada de abraços, nem nenhuma dessas intimidades. E quando ‘acordei’, me vi atrás dele, com ele falando ‘’gostou de me seguir né?’’. O larguei, fiz pirraça, mas, no final da festa, nós dois éramos um só, meu corpo era a extensão do dele, e havia paixão nos olhos dele. Dias passaram, e nós nos falávamos, como sempre. Mas a conversa sempre durava pouco. Era apenas ‘oi’ e ‘tchau’. E eu continuava a sentir que aquela paixão dele ia aumentando em relação a mim. E eu vi uma chance, de poder amar alguém, pois tudo que ele fazia e falava, era tudo o que eu precisava. A gente nem se via. Foi quando meu colégio resolveu dar uma festa, a tal ‘festa junina’. E o Matheus foi. Não só ele, mas Leonardo também. E quando avistei o Leonardo, eu travei. Simplesmente travei. Era a cadeia, e ele me pedira um abraço. Ele conseguiu o que queria. Era tudo o que eu mais queria. Ele começou por abraço, e depois foi querendo beijos. Meu orgulho estava muito grande para permitir isso. E quem seguia dessa vez era Matheus. Se declarando, dizendo o quanto tinha gostado de ter me beijado, e que queria algo sério. E eu não podia mais responder, o Leonardo me deixou em estado de choque, como se aquilo fosse um sonho. Ou um pesadelo, ainda não tirei minha conclusão. O Leonardo continuava em cima, não me dava um minuto de paz. E admito, eu gostava disso. Foi a melhor noite da minha vida. Me fez lembrar de todos os beijos e abraços que tivemos, e dos sorrisos que dei ao ouvi-lo. Outro final de festa, e nenhum beijo, apenas tentativas da parte do Leonardo. Apenas nós dois, conversando cara a cara, e ele me falando de seus problemas. E eu o ajudei. Descobri que ainda guardava meus pertences, assim como eu guardava os deles, que eu fui a ultima menina que ele namorou – o que significa muita coisa, isso significa que só amou a mim, verdadeiramente -, que a outra menina não era o que ele pensava, e que a melhor época da vida dele foi quando estávamos juntos. E isso me fez sorrir de um jeito que não sorria há muito tempo. Só acordei desse sonho quando uma lágrima foi derramada segundos antes de pegar no sono. Na hora eu não via o quanto aquilo ia me machucar, mas aproveitei o máximo que pude. Podia aproveitá-lo mais, o beijando como nunca beijei e dizer o quanto eu tentei, mas que queria amizade. Mas isso é irracional. Preferi chorar por um mérito meu ao não cair em sua armadilha novamente, do que chorar por me entregar de novo. Outro dia acordei com seu colar e o coração de pelúcia em minhas mãos, junto ao meu peito. Devo ter sonhado com ele de novo. Acordei com raiva, joguei os pertences dele contra a parede, e gritei até minha garganta sangrar. Tá, quase sangrar. E eu sentia o cheiro dele o meu lado, o que me fez querer vomitar. E o ódio me pegou de jeito, mesmo. Implorava à Deus para que eu morresse o mais rápido possível. Eu não agüentava mais sofrer por um amor não correspondido, enquanto um novo amor me esperava em minha porta. Matheus estava realmente apaixonado por mim.